A Disfunção Temporomandibular (DTM) é uma condição que afeta milhões de pessoas, causando dor na mandíbula, dores na parte lateral da cabeça, dores nas ATMs, estalos ao abrir e fechar a boca e até dificuldades na mastigação. Estudos indicam que a DTM pode estar relacionada a fatores como estresse (emocional e físico), bruxismo, má oclusão dentária com interferências oclusais, induzindo à má posição mandibular e alterações posturais, impactando significativamente a qualidade de vida de grande parte da população. No entanto, muitas pessoas convivem com esses sintomas sem saber que há tratamentos eficazes para aliviar o desconforto e melhorar a função da articulação temporomandibular (ATM).

Neste artigo, você entenderá o que é a DTM, quais são as suas principais causas, sintomas e métodos de diagnóstico. Além disso, exploraremos as opções de tratamento baseadas em evidências científicas, desde o uso de placas miorrelaxantes até técnicas específicas para o alívio da dor e reequilíbrio da musculatura orofacial.

O que é a Disfunção Temporomandibular (DTM)?

A Disfunção Temporomandibular (DTM) é um distúrbio que afeta as articulações temporomandibulares (ATMs), os músculos e ligamentos responsáveis pelos movimentos da mandíbula. Essa condição pode causar sintomas como dor na face, dificuldade para mastigar, estalos ou crepitações nas articulações, além de travamento mandibular. Estudos indicam que a DTM é uma das principais causas de dor orofacial de origem não dentária e pode impactar significativamente a qualidade de vida dos pacientes.

A ATM é uma das articulações mais complexas do corpo humano, pois permite os movimentos essenciais da mandíbula – como protruir, abrir, fechar e lateralizar – além de ser fundamental para funções como o corte dos alimentos, mastigação, deglutição e fala. Sua biomecânica envolve um conjunto de músculos, ligamentos e estruturas ósseas que, quando em desequilíbrio, podem resultar na disfunção temporomandibular.

A DTM é uma condição multifatorial e pode ser classificada em três categorias principais:

  • DTM muscular (ou miofascial): ocorre devido às tensões e disfunções nos músculos mastigatórios. Está frequentemente associada ao bruxismo e a fatores emocionais, como estresse e ansiedade. É considerada a forma mais prevalente da DTM.
  • DTM articular: envolve alterações estruturais na ATM, como deslocamento do disco articular, degeneração da cartilagem ou processos inflamatórios que afetam o funcionamento da articulação e causam dores.
  • DTM mista: combina características das duas formas anteriores, com comprometimento tanto muscular quanto articular.

Além dos sintomas locais na mandíbula e na face, a DTM pode estar associada a outros sinais, como cefaleias tensionais, dor cervical, tontura e até sintomas auditivos, como sensação de ouvido tampado e zumbido.

Por ser uma condição de origem multifatorial, a DTM exige um diagnóstico detalhado para determinar a abordagem terapêutica mais adequada. A avaliação clínica e exames complementares são essenciais para diferenciar a DTM de outras possíveis causas de dor orofacial.

Principais causas da DTM

A Disfunção Temporomandibular (DTM) é uma condição multifatorial, ou seja, pode ser desencadeada por diferentes fatores isolados ou combinados. Estudos indicam que a origem da DTM pode estar relacionada a alterações musculares, articulares e até fatores psicossociais. Entre as principais causas estão:

  • Bruxismo e apertamento dos dentes: hábitos involuntários que geram sobrecarga nos músculos mastigatórios e na ATM. O bruxismo e o apertamento podem ocorrer tanto durante o sono quanto durante o dia. Provocam desgastes dentários e aumento da tensão muscular, causando dores, por fadiga, nos músculos responsáveis pelo fechamento (apertamento dentário) e pelos movimentos mandibulares (bruxismo).
  • Estresse e tensão emocional: a DTM tem forte relação com fatores emocionais. O estresse pode levar ao aumento da atividade muscular na região da mandíbula, resultando em apertamento excessivo dos dentes e fadiga dos músculos mastigatórios.
  • Má oclusão dentária: o desalinhamento dos dentes ou alterações na mordida podem comprometer a distribuição das forças mastigatórias, sobrecarregando a ATM e os músculos da face. Embora nem toda má oclusão cause DTM, em alguns casos, ela pode ser um fator contribuinte.
  • Traumas na mandíbula: impactos na região da face, causados por quedas, acidentes ou lesões esportivas, podem afetar a articulação temporomandibular, levando a processos inflamatórios e alterações estruturais na ATM.
  • Hiperatividade dos músculos mastigatórios: algumas pessoas possuem um padrão de ativação muscular exagerado na mastigação, o que pode levar ao desenvolvimento da DTM ao longo do tempo. Esse comportamento pode ser influenciado por hábitos como mastigação unilateral, principalmente as repetitivas, como ocorre quando se usa gomas de mascar por longo período e frequentemente, alimentação inadequada e fatores emocionais.
  • Doenças articulares degenerativas: condições como artrite e artrose podem afetar a ATM, levando à degeneração da cartilagem e inflamação crônica, comprometendo a mobilidade da mandíbula e causando dor intensa.
  • Hábitos parafuncionais: comportamentos inconscientes, como roer unhas, morder objetos, usar gomas de mascar em excesso ou até mesmo apoiar constantemente a mão no rosto, podem contribuir para um desequilíbrio muscular e sobrecarga na ATM.

A identificação da causa específica da DTM em cada paciente é essencial para direcionar o tratamento mais adequado, prevenindo a progressão da disfunção, aliviando dores e melhorando a qualidade de vida.

Sintomas comuns da DTM

Os sintomas da Disfunção Temporomandibular (DTM) podem variar de acordo com a gravidade da condição e os fatores que a desencadeiam. Em alguns casos, os sinais são leves e intermitentes, enquanto em outros podem se tornar crônicos e incapacitantes. A complexidade da ATM e sua conexão com outras estruturas do corpo explicam por que a DTM pode gerar manifestações além da mandíbula, afetando a cabeça, o pescoço e até o ouvido.

Os sintomas mais comuns incluem:

  • Dor na mandíbula e na região da face: a dor pode ser localizada ou irradiar para a região das têmporas, bochechas e até pescoço. Em muitos casos, o desconforto piora ao mastigar, bocejar ou falar por longos períodos.
  • Estalos ou crepitações ao abrir e fechar a boca: sons anormais na articulação temporomandibular podem indicar um desalinhamento do disco articular ou um processo inflamatório na ATM. Esses ruídos nem sempre são dolorosos, mas quando associados à dor ou limitação de movimento, exigem atenção.
  • Dificuldade para abrir ou fechar a boca completamente: alguns pacientes relatam sensação de “travamento” da mandíbula, seja ao tentar abrir muito a boca ou ao fechá-la completamente. Isso pode indicar deslocamento do disco articular ou espasmos musculares intensos.
  • Dores de cabeça frequentes: a tensão nos músculos mastigatórios pode levar a cefaleias tensionais que afetam a região da testa, têmporas e nuca. Muitas vezes, essa dor é confundida com enxaqueca ou problemas cervicais.
  • Sensação de ouvido tampado ou dor na região auricular: devido à proximidade da ATM com o ouvido, alterações na articulação podem causar sintomas como pressão no ouvido, dor e até zumbido (tinnitus). Em alguns casos, os pacientes procuram otorrinolaringologistas antes de descobrir que o problema tem origem na articulação temporomandibular.
  • Tontura e desequilíbrio: a relação da ATM com o ouvido interno pode gerar instabilidade postural e episódios de vertigem, já que essa região é responsável pelo controle do equilíbrio do corpo.
  • Sensação de fadiga nos músculos da mastigação: cansaço na musculatura da mandíbula pode ser um indicativo de sobrecarga, especialmente em pessoas que sofrem de bruxismo ou apertamento dos dentes. Alguns indivíduos relatam que, ao acordar, sentem cansaço na região da mandíbula. Esse sintoma pode piorar ao mastigar alimentos mais duros ou ao falar por períodos prolongados.

A diversidade dos sintomas da DTM faz com que muitos pacientes passem por diferentes especialistas antes de chegar ao diagnóstico correto. Como esses sinais podem se confundir com outras condições médicas, é essencial buscar um profissional especializado para avaliação clínica detalhada e exames complementares, se necessário.

Como é feito o diagnóstico da DTM

O diagnóstico da Disfunção Temporomandibular (DTM) é um processo clínico detalhado que envolve a análise dos sintomas, histórico do paciente e exames físicos e de imagem. Como os sinais da DTM podem se confundir com outras condições médicas, é essencial que a avaliação seja conduzida por profissionais especializados, como dentistas, fisioterapeutas orofaciais e médicos que atuam na área de dor orofacial.

Os principais métodos de diagnóstico incluem:

  • Anamnese detalhada: o profissional realiza uma entrevista com o paciente para entender seus sintomas, hábitos diários e possíveis fatores desencadeantes, como histórico de bruxismo, estresse, hábitos parafuncionais (como roer unhas) e episódios de dor ou presença de ruídos nas articulações temporomandibulares.
  • Exame clínico: consiste na avaliação da funcionalidade da articulação temporomandibular e da musculatura mastigatória. O especialista verifica:
    • A amplitude dos movimentos mandibulares (se há limitação ao abrir ou fechar a boca);
    • A presença de estalos ou ruídos na ATM;
    • Pontos de dor na musculatura da face e do pescoço;
    • Possíveis desvios na mordida ou na oclusão dentária.
    • Presença de interferências oclusais (dentes impedindo os movimentos livres da mandíbula)
    • Presença de contatos dentários prematuros causados por dentes mal posicionados ou restaurações com excessos.
    • Presença de guias dentárias que orientam os movimentos mandibulares
  • Palpação dos músculos mastigatórios e da ATM: permite identificar áreas de tensão excessiva, dor à compressão ou sinais de inflamação na articulação temporomandibular.
  • Testes de mobilidade mandibular: o profissional pode pedir ao paciente que realize movimentos específicos com a mandíbula para avaliar possíveis assimetrias, limitações ou desconfortos.
  • Exames de imagem: são solicitados em casos mais complexos ou quando há suspeita de alterações estruturais na ATM. Os exames mais utilizados incluem:
    • Radiografia panorâmica: permite visualizar as estruturas ósseas e dentárias da mandíbula e da maxila. Identifica eventuais desgastes, fraturas ou desalinhamentos. É um exame complementar que deveria ser solicitado rotineiramente nos consultórios odontológicos.
    • Ressonância magnética: considerada o exame mais preciso para avaliar tecidos moles da ATM, como o disco articular, músculos e ligamentos. É indicada especialmente para casos de deslocamento do disco ou processos inflamatórios.
    • Tomografia computadorizada: utilizada para análise detalhada das estruturas ósseas da ATM, sendo essencial em casos de suspeita de artrose ou outras degenerações articulares.

Em alguns casos, exames adicionais, como eletromiografia para avaliar a atividade muscular e ultrassonografia para análise dinâmica das articulações, podem ser utilizados para complementar o diagnóstico.

O diagnóstico precoce da DTM é essencial para evitar a progressão do quadro e possibilitar um tratamento mais eficaz. O acompanhamento com um profissional especializado permite determinar a abordagem terapêutica mais adequada para cada caso, garantindo mais conforto e qualidade de vida ao paciente.

Opções de tratamento para DTM

O tratamento da Disfunção Temporomandibular (DTM) deve ser individualizado e depende da gravidade dos sintomas e da causa subjacente do problema. Em muitos casos, a abordagem é multidisciplinar, envolvendo dentistas, fisioterapeutas e outros profissionais da saúde para garantir um tratamento eficaz e duradouro. As opções terapêuticas variam desde medidas conservadoras até intervenções mais especializadas, sempre com o objetivo de aliviar a dor, restaurar a função da articulação temporomandibular (ATM) e melhorar a qualidade de vida do paciente.

Placas miorrelaxantes

As placas miorrelaxantes (“mio” se refere ao músculo), também chamadas de placas oclusais, são dispositivos intraorais personalizados que auxiliam no relaxamento da musculatura da mandíbula, protegendo os dentes contra os efeitos do bruxismo e reduzindo a sobrecarga na ATM. Essas placas são frequentemente recomendadas para pacientes que apresentam apertamento dentário ou dor muscular associada à DTM. Estudos indicam que o uso adequado das placas pode contribuir para a diminuição da dor e melhora da mobilidade mandibular, pois promove o relaxamento da musculatura. Essas placas devem ser rígidas, podendo ser adaptadas no arco dentário superior ou inferior. É necessário ajustes periódicos para que se obtenha uma posição mandibular compatível com a posição adequada do disco articular e relaxamento muscular.

Técnicas específicas para alívio da dor e reequilíbrio muscular

Diversas abordagens terapêuticas podem ser utilizadas para reduzir os sintomas da DTM e melhorar a funcionalidade da ATM:

  • Acupuntura: auxilia no relaxamento muscular e no controle da dor por meio da estimulação de pontos específicos, promovendo alívio da tensão e melhora da circulação sanguínea na região afetada.
  • Laserterapia: o uso do laser de baixa intensidade tem demonstrado eficácia na redução da inflamação, na analgesia e na recuperação dos tecidos afetados pela DTM. Esse tratamento pode ser indicado como parte de uma abordagem complementar para controle da dor.
  • Terapia manual e fisioterapia orofacial: exercícios específicos, mobilizações articulares e técnicas manuais auxiliam no relaxamento dos músculos mastigatórios, na melhora da amplitude de movimento e na redução da dor.
  • Toxina botulínica (como o “Botox”, por exemplo): aplicação de doses adequadas nos músculos hiperativos (e muitos já estão hipertrofiados) a fim de diminuir a atividade muscular, em casos de apartamentos dentários severos.

Medicamentos e controle da dor

Em alguns casos, o uso de medicamentos pode ser indicado para auxiliar no controle da dor e da inflamação. Entre as opções mais utilizadas estão:

  • Analgésicos e anti-inflamatórios: para aliviar a dor e reduzir processos inflamatórios na ATM.
  • Relaxantes musculares: recomendados para pacientes que apresentam tensão excessiva nos músculos mastigatórios.
  • Ansiolíticos ou antidepressivos tricíclicos: podem ser prescritos em casos de DTM associada a estresse e bruxismo, sempre sob orientação médica.

O uso de medicamentos deve ser feito de forma controlada, evitando a automedicação e priorizando terapias complementares para obter resultados mais duradouros.

Ajustes na oclusão

Quando a má oclusão (desalinhamento da mordida) contribui para a DTM, os tratamentos ortodônticos podem ser necessários para equilibrar a distribuição das forças mastigatórias e reduzir o estresse na ATM. Entre as opções disponíveis, destacam-se:

  • Uso de aparelhos ortodônticos para corrigir desalinhamentos dentários;
  • Ajustes oclusais seletivos para redistribuir os pontos de contato entre os dentes;
  • Tratamentos protéticos para restaurar dentes desgastados e melhorar a estabilidade da mordida.

Mudanças nos hábitos diários

A adoção de novos hábitos pode contribuir significativamente para o alívio dos sintomas e a prevenção da DTM. Algumas recomendações incluem:

  • Evitar hábitos parafuncionais, como roer unhas, morder objetos e usar gomas de mascar em excesso;
  • Controlar o estresse por meio de técnicas de relaxamento, meditação ou atividades físicas; prática de esportes que ajudam a “descarregar” a energia acumulada ao longo do dia (boxe, karatê, dentre outros)
  • Manter uma boa postura para evitar tensões na região cervical e mandibular; é recomendável reorganização postural geral (RPG), pilates dentre outros.
  • Evitar alimentos duros e pegajosos, que podem exigir esforço excessivo da articulação temporomandibular;
  • Fazer pausas durante o dia para relaxar a mandíbula, principalmente em situações de tensão emocional. 

Tratamento cirúrgico para alterações na ATM

Nos casos mais graves de Disfunção Temporomandibular (DTM), onde há comprometimento estrutural severo da articulação temporomandibular (ATM) e os tratamentos conservadores não são suficientes para aliviar os sintomas, a cirurgia pode ser indicada. A intervenção cirúrgica é recomendada em situações como:

  • Deslocamento irreversível do disco articular, onde a posição do disco não pode ser restaurada apenas com terapias convencionais;
  • Artrite ou artrose severa na ATM, que compromete a mobilidade e gera dor intensa;
  • Anquilose da ATM, uma condição rara na qual a articulação fica “travada” devido à fusão óssea;
  • Deformidades congênitas ou traumáticas, que afetam a função normal da mandíbula.

Principais tipos de cirurgia para ATM

As técnicas cirúrgicas variam conforme a gravidade da disfunção e podem incluir:

  1. Artrocentese: procedimento minimamente invasivo que consiste na lavagem da articulação para remover resíduos inflamatórios e melhorar a lubrificação. A articulação é lavada com uma solução, como soro fisiológico a 0,9% ou hialuronidato de sódio 
  2. Artroscopia da ATM: utiliza uma microcâmera inserida na articulação para remover aderências, corrigir deslocamentos do disco e reduzir inflamações.
  3. Cirurgia aberta da ATM (artroplastia): indicada para casos mais severos, podendo envolver a reconstrução da articulação ou até o uso de próteses articulares personalizadas.

A indicação da cirurgia deve ser feita após uma avaliação criteriosa por um especialista em DTM, considerando o histórico do paciente, exames de imagem e resposta aos tratamentos conservadores.

O tratamento ideal da DTM deve ser personalizado, levando em consideração as características individuais do paciente. O acompanhamento com profissionais especializados é essencial para garantir uma abordagem eficaz e minimizar o impacto da disfunção na qualidade de vida.

Dicas para prevenir a DTM

A prevenção da Disfunção Temporomandibular (DTM) envolve a adoção de hábitos saudáveis que ajudam a reduzir a tensão na articulação temporomandibular e evitam sobrecargas desnecessárias nos músculos da mastigação. Embora nem todos os casos possam ser prevenidos, especialmente aqueles de origem genética ou decorrentes de doenças articulares, seguir algumas orientações pode diminuir significativamente o risco de desenvolver o problema ou aliviar sintomas já existentes.

Evite hábitos prejudiciais à articulação temporomandibular

Certos hábitos do dia a dia podem parecer inofensivos, mas, a longo prazo, contribuem para o desenvolvimento da DTM. Entre eles, destacam-se:

  • Roer unhas ou morder objetos como tampas de caneta;
  • Mascar chicletes por longos períodos, gerando fadiga muscular;
  • Apoiar constantemente a mão no queixo, o que pode desalojar a articulação da posição ideal;
  • Apertar ou ranger os dentes, hábito conhecido como bruxismo, que pode ocorrer tanto durante o dia quanto durante o sono.

Se você percebe que tem alguns desses hábitos, é importante tentar eliminá-los. Para o bruxismo, por exemplo, o dentista pode recomendar o uso de placas miorrelaxantes para proteger os dentes e aliviar a pressão sobre a articulação.

Controle o estresse e a tensão emocional

O estresse é um dos principais fatores desencadeantes da DTM, pois leva ao aumento da contração involuntária dos músculos da mandíbula. Muitas pessoas, em momentos de ansiedade, acabam apertando os dentes sem perceber, gerando tensão e desconforto.

Para reduzir esse impacto, algumas práticas são recomendadas:

  • Técnicas de respiração profunda para relaxamento muscular;
  • Exercícios físicos regulares, que ajudam a liberar endorfinas e reduzir a tensão;
  • Atividades como ioga, meditação e mindfulness, que promovem o equilíbrio emocional e a consciência corporal.

Identificar momentos de maior estresse e adotar estratégias para controlá-los pode fazer uma grande diferença na prevenção da DTM.

Mantenha uma boa postura corporal

A postura inadequada pode influenciar diretamente a posição da mandíbula e aumentar a sobrecarga na ATM. Trabalhar, estudar ou o uso recreativo de telefone celular por longos períodos em posições desalinhadas pode criar tensões musculares na região cervical e no rosto, favorecendo o desenvolvimento de dores nas regiões envolvidas. 

Para evitar esse problema, siga algumas recomendações:

  • Mantenha a tela do computador na altura dos olhos, evitando inclinar a cabeça para baixo por muito tempo;
  • Ao usar o celular, procure segurá-lo na altura dos olhos em vez de manter o pescoço curvado;
  • Ajuste a altura da cadeira e da mesa para que seus ombros fiquem relaxados e alinhados;
  • Evite dormir de bruços, sobre os braços, pois essa posição pode pressionar a mandíbula durante a noite.

Pequenos ajustes no dia a dia podem evitar sobrecargas na região da ATM e prevenir o surgimento de DTM.

Cuide da saúde bucal e da mordida

A forma como os dentes se encaixam influencia diretamente a articulação temporomandibular. Se houver algum desalinhamento na mordida (má oclusão), o esforço para mastigar pode ser distribuído de maneira desigual, sobrecarregando um lado da mandíbula e favorecendo o desenvolvimento da DTM.

Manter uma rotina de acompanhamento odontológico é fundamental para identificar precocemente qualquer alteração na mordida que possa estar causando desconforto. Além disso, se houver desgaste excessivo dos dentes devido ao bruxismo, o uso de placas miorrelaxantes e procedimentos de manipulação músculo articular, podem ajudar a relaxar a musculatura, proteger a dentição e reduzir a pressão sobre a ATM.

Pratique exercícios para relaxamento da mandíbula

Exercícios simples podem ajudar a aliviar a tensão na região da ATM e fortalecer os músculos da mastigação. Algumas práticas recomendadas incluem:

  • Alongamento da mandíbula: abra a boca lentamente até o máximo confortável e segure por alguns segundos antes de fechar. Repita algumas vezes ao dia.
  • Massagem na região da ATM: use a ponta dos dedos para fazer movimentos circulares suaves ao redor da articulação temporomandibular e nos músculos doloridos. Isto ajuda a relaxar a musculatura e aliviar as dores existentes.
  • Mobilização da mandíbula: abra a boca levemente e mova a mandíbula de um lado para o outro, de forma controlada, sem forçar.

A realização diária desses exercícios pode contribuir para o alívio da tensão muscular e melhorar a mobilidade da ATM.

Evite alimentos muito duros e mastigue dos dois lados

A alimentação também pode influenciar na sobrecarga da articulação temporomandibular. Alimentos excessivamente duros ou pegajosos exigem mais esforço da musculatura da mastigação e podem agravar dores e inflamações na ATM.

Além disso, muitas pessoas desenvolvem o hábito inconsciente de mastigar apenas de um lado da boca, o que pode levar a um desequilíbrio muscular. Tente sempre distribuir a mastigação de forma equilibrada entre os dois lados da mandíbula.

Entretanto, a mastigação equilibrada bilateral, não é uma escolha consciente do paciente. Ela ocorre em virtude de alguns aspectos clínicos como irei explicar a seguir.

A mastigação unilateral pode ocorrer por vários motivos, como desconforto em um dos lados proveniente da presença de cáries, problemas periodontais com grande comprometimento das estruturas de suporte dentário. Essas condições podem gerar dores ao mastigar. Então, o indivíduo passa a mastigar no lado mais confortável. 

Outra causa do hábito de mastigação unilateral é o desequilíbrio oclusal. Sabemos que a mandíbula se desloca para o lado onde haverá a mastigação dos alimentos. Se um dos lados for mais confortável, sem dores e sem muito esforço, será para esse lado que a mandíbula se deslocará. Além dos aspectos abordados acima, a mandíbula se deslocará com maior frequência para o lado onde haverá menor gasto de energia, o lado onde precisará abrir menos a boca, o lado da menor dimensão vertical, para o lado onde não houver interferências dentárias no deslocamento nem na mastigação propriamente dita. Portanto, dentes alinhados e nivelados, sem cáries e sem doenças periodontais, favorecem a mastigação bilateral, evitando comprometimentos nas ATMs.

Tratamentos modernos para DTM e como buscar ajuda

A Disfunção Temporomandibular (DTM) pode impactar significativamente a qualidade de vida, causando dores, desconfortos e dificuldades na mastigação e na fala. No entanto, com o diagnóstico correto e um plano de tratamento adequado, é possível aliviar os sintomas e restaurar a função da articulação temporomandibular.

Atualmente, os tratamentos para DTM vão além dos métodos convencionais. Abordagens como placas miorrelaxantes, terapias manuais, acupuntura e laserterapia, ajustes oclusais têm demonstrado eficácia no controle da dor e no reequilíbrio da musculatura da mandíbula. Além disso, mudanças nos hábitos diários e técnicas específicas de relaxamento podem contribuir para a prevenção e o alívio dos sintomas.

Se você sente dores na mandíbula, estalos ao abrir e fechar a boca ou qualquer outro sintoma de DTM, buscar um profissional qualificado é essencial. No consultório do Dr. Roque Queiroz, referência em ortodontia e tratamentos para DTM em São Paulo, você encontra um atendimento especializado, com foco em abordagens modernas e personalizadas para o alívio da dor e a reabilitação da ATM.

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Referencial

Panhoca, V. H., et al. “Abordagens Terapêuticas para Disfunção Temporomandibular: Revisão de Literatura.” Instituto de Física de São Carlos, Universidade de São Paulo (USP), 2023. Disponível em: https://www2.ifsc.usp.br/portal-ifsc/wp-content/uploads/2023/12/artigo-panhoca-dezembro-2023.pdf.

Arch Health Investigation. “Fatores de risco e tratamento da Disfunção Temporomandibular: uma visão multidisciplinar.” 2023. Disponível em: https://www.archhealthinvestigation.com.br/ArcHI/article/view/3011/pdf.

Oliveira, D. R., et al. “Disfunção Temporomandibular: etiologia, diagnóstico e tratamento.” Revista Brasileira de Pesquisa em Saúde, 2022. Disponível em: https://www.scielo.br/j/pe/a/qWpL3LnQvtPdmDS4dcCxy6C/.

Borges, T. R., et al. “Como diagnosticar e tratar Disfunção da Articulação Temporomandibular.” Biblioteca Virtual em Saúde – APS, 2022. Disponível em: https://aps-repo.bvs.br/aps/como-diagnosticar-e-tratar-disfuncao-de-articulacao-temporomandibular/.