O zumbido no ouvido é um sintoma que pode ter várias origens, e nem sempre a explicação está apenas no sistema auditivo. Quando ele aparece junto de sinais como dor na mandíbula, estalos ao abrir a boca, apertamento dos dentes ou sensação de mordida desalinhada, vale investigar a possível participação da DTM e do bruxismo nesse quadro. Ao longo deste artigo, vamos mostrar o que os estudos indicam sobre essa associação, quando essa relação merece atenção e por que a avaliação precisa ser individualizada, sem promessas simplistas nem conclusões apressadas.

O que é o zumbido no ouvido e por que ele pode ter várias causas?

O zumbido no ouvido, também chamado de tinnitus, é a percepção de um som sem que exista uma fonte externa produzindo esse ruído. Em algumas pessoas, ele aparece como chiado. Em outras, como apito, pressão, estalo ou um som contínuo difícil de descrever. Mais do que um incômodo isolado, esse sintoma costuma ser um sinal de que algo precisa ser investigado com atenção.

Um dos pontos mais importantes aqui é entender que o zumbido não tem uma única origem. Ele pode estar ligado a alterações no ouvido interno, exposição frequente a sons intensos, acúmulo de cera, uso de alguns medicamentos, questões metabólicas, fatores vasculares, alterações neurológicas e até estresse, ansiedade ou noites mal dormidas. Por isso, tentar explicar todos os casos da mesma forma quase sempre leva a conclusões apressadas.

Ao mesmo tempo, existe um aspecto que merece cada vez mais atenção: a participação de fatores musculoesqueléticos e orofaciais. Em alguns quadros, o zumbido pode ser influenciado por estímulos vindos da mandíbula, da articulação temporomandibular, do pescoço e da musculatura da face. Esse tipo de apresentação é conhecido como zumbido somatossensorial e ajuda a explicar por que certas pessoas percebem piora ou mudança no sintoma quando apertam os dentes, movimentam a mandíbula ou tensionam a região cervical.

É justamente nesse ponto que a sensação de mordida desalinhada começa a entrar na conversa. Não porque o dente torto, sozinho, seja tratado como causa direta do zumbido, mas porque a mordida pode fazer parte de um contexto maior, com sobrecarga muscular, bruxismo e disfunção temporomandibular. Em outras palavras, a conexão mais relevante não costuma estar na estética do sorriso, e sim no funcionamento da mandíbula e das estruturas ao redor.

Esse olhar mais amplo é importante porque evita dois erros comuns: ignorar a participação da ATM quando ela realmente existe ou atribuir todo zumbido à mordida sem uma avaliação cuidadosa. Como o sintoma é multifatorial, a análise precisa considerar o quadro completo, incluindo sinais como dor na face, estalos ao abrir a boca, apertamento dentário, tensão muscular e mudança do zumbido com movimentos mandibulares.

Quando essa investigação é bem conduzida, fica mais fácil entender se o zumbido está restrito ao sistema auditivo ou se há também um componente funcional envolvendo mandíbula, músculos e articulações. E é a partir daí que a relação entre DTM, bruxismo e mordida desalinhada passa a fazer sentido de forma mais precisa e sem simplificações exageradas.

DTM, bruxismo e mordida desalinhada: onde essa conexão realmente acontece

Quando o assunto é zumbido no ouvido e mordida desalinhada, o ponto mais importante não está apenas no encaixe dos dentes, mas no funcionamento de todo o sistema que envolve mandíbula, articulação e musculatura da face. É justamente aí que entram a DTM e o bruxismo, duas condições que ajudam a explicar por que algumas queixas aparecem juntas com tanta frequência.

A DTM, ou disfunção temporomandibular, é um conjunto de alterações que afeta a articulação temporomandibular e os músculos responsáveis pelos movimentos da mastigação. Na prática, ela pode causar dor na face, estalos ao abrir a boca, sensação de travamento, desconforto ao mastigar e tensão constante na região da mandíbula. Em alguns casos, esse quadro também vem acompanhado de sintomas auditivos, como sensação de ouvido tampado e zumbido.

Já o bruxismo é o hábito de apertar ou ranger os dentes, durante o sono ou mesmo ao longo do dia. Muitas vezes, ele passa despercebido no começo. A pessoa só percebe quando acorda com a mandíbula cansada, sente dores de cabeça frequentes, nota desgaste nos dentes ou começa a conviver com tensão na face e no pescoço. Esse esforço repetitivo aumenta a sobrecarga sobre a ATM e pode favorecer ou agravar um quadro de DTM.

É por isso que a mordida desalinhada precisa ser entendida com equilíbrio. Sozinha, ela não deve ser tratada como causa única do zumbido. No entanto, quando a má oclusão contribui para um funcionamento inadequado da mordida, para desequilíbrios musculares ou para sobrecarga na articulação, ela pode participar desse contexto de forma indireta. Em vez de pensar apenas em “dente torto”, o mais correto é observar o impacto funcional que essa mordida está gerando no dia a dia.

Esse raciocínio faz bastante sentido porque a mandíbula não trabalha isolada. Ela se relaciona com músculos da face, do pescoço e com estruturas muito próximas da região auditiva. Quando há tensão, inflamação ou esforço excessivo nessa área, o corpo pode responder com sintomas que vão além da dor local. É aí que a conexão com o zumbido começa a ficar mais plausível, especialmente nos casos em que o chiado muda de intensidade com movimentos da boca, apertamento dentário ou tensão cervical.

Outro ponto importante é que nem toda pessoa com mordida desalinhada vai desenvolver DTM, assim como nem toda pessoa com DTM terá zumbido. A ciência mostra uma associação relevante, mas não uma regra absoluta. Cada organismo responde de um jeito, e por isso não faz sentido prometer uma explicação única para todos os casos. O que faz sentido é investigar quando esses sinais aparecem juntos.

Em uma linguagem bem simples, dá para resumir assim: a mordida desalinhada pode favorecer sobrecarga; essa sobrecarga pode contribuir para DTM; e a DTM, em alguns pacientes, pode se associar ao zumbido, principalmente quando existe um componente somatossensorial envolvido. Esse é o caminho mais responsável para entender essa relação, sem exageros e sem simplificações.

Esse olhar mais completo também muda a forma de conduzir o caso. Em vez de focar apenas no ouvido ou apenas nos dentes, a avaliação passa a considerar o funcionamento da mandíbula, a presença de bruxismo, os sinais musculares e a forma como o zumbido se comporta. E é justamente essa integração que ajuda a responder a próxima pergunta mais importante: afinal, o que os estudos mostram sobre a relação entre DTM e zumbido?

O que os estudos mostram sobre DTM e zumbido

A relação entre DTM e zumbido tem chamado cada vez mais atenção porque os dois sintomas costumam aparecer juntos com uma frequência relevante. Isso não quer dizer que exista uma relação automática de causa e efeito em todos os casos, mas mostra que essa associação merece ser levada a sério, principalmente quando o paciente apresenta também dor na mandíbula, estalos articulares, apertamento dentário e tensão muscular na face ou no pescoço.

De forma geral, os estudos mostram que o zumbido é mais frequente em pessoas com DTM do que naquelas sem essa disfunção. Esse dado é importante porque ajuda a sustentar uma percepção clínica comum: em muitos quadros, o sintoma auditivo não está isolado, mas inserido em um contexto funcional mais amplo, que envolve articulação temporomandibular, musculatura mastigatória e até a região cervical.

Essa conexão se torna ainda mais plausível quando se considera o chamado zumbido somatossensorial. Nesse tipo de apresentação, estímulos vindos da mandíbula, dos músculos da face e do pescoço podem influenciar a forma como o zumbido é percebido. Por isso, há pacientes que notam piora, alívio ou mudança no ruído ao abrir a boca, apertar os dentes, projetar a mandíbula ou tensionar o pescoço.

Esse comportamento do sintoma ajuda a entender por que a investigação precisa ir além do ouvido. Quando o zumbido muda com movimentos mandibulares ou aparece junto de sinais claros de DTM, existe um indicativo de que estruturas vizinhas ao sistema auditivo podem estar participando do quadro. Não se trata de substituir uma avaliação otológica, mas de ampliar o olhar para não deixar passar fatores que podem estar contribuindo para o problema.

Outro ponto importante é que a associação entre DTM e zumbido não significa que todos os pacientes responderão da mesma forma ao tratamento. Em alguns casos, ao controlar a sobrecarga na ATM e na musculatura, o zumbido pode diminuir de intensidade. Em outros, a melhora é parcial. E também existem situações em que o sintoma persiste porque há outros elementos envolvidos, como perda auditiva, estresse, alterações metabólicas ou fatores neurológicos.

É justamente por isso que promessas simplistas não combinam com esse tema. Corrigir a mordida ou tratar a DTM não é sinônimo automático de eliminar o zumbido. O que os estudos reforçam é outra coisa: quando há sinais compatíveis, a investigação da articulação temporomandibular e do bruxismo passa a fazer sentido dentro de uma abordagem mais completa.

Na prática, isso muda bastante a interpretação do quadro. Em vez de olhar o zumbido apenas como uma queixa auditiva, passa a ser possível enxergá-lo também como um sintoma que, em alguns pacientes, pode ser modulado por fatores mecânicos e musculares. Essa visão mais ampla é útil porque evita tanto o exagero quanto a negligência.

Em resumo, o que a literatura mostra é uma associação consistente entre DTM e zumbido, especialmente em quadros com dor orofacial, tensão muscular e alterações funcionais da mandíbula. Essa é uma pista clínica importante, mas não uma sentença. O diagnóstico continua dependendo de avaliação individualizada, e é exatamente nesse ponto que o bruxismo ganha destaque como um fator que pode aumentar o risco de DTM e, de forma indireta, também entrar nessa equação.

Bruxismo aumenta o risco de DTM e pode elevar, de forma indireta, a chance de zumbido

O bruxismo é um dos pontos mais importantes nessa conversa porque ele ajuda a entender por que zumbido, dor na mandíbula e sensação de mordida desconfortável muitas vezes aparecem no mesmo contexto. Embora ele não deva ser tratado como causa direta e isolada do zumbido, seu impacto sobre a articulação temporomandibular e sobre a musculatura da face pode favorecer um quadro de DTM, e é justamente aí que a associação com sintomas auditivos começa a ganhar força.

De forma simples, o bruxismo acontece quando há apertamento ou ranger dos dentes, seja durante o sono, seja ao longo do dia. Em muitos casos, o problema passa despercebido por bastante tempo. A pessoa só começa a suspeitar quando percebe dor ao acordar, fadiga na mandíbula, sensibilidade dentária, tensão facial, dor de cabeça ou desgaste nos dentes. Como esse esforço é repetitivo, a região passa a trabalhar sob sobrecarga constante.

Esse excesso de tensão não fica restrito aos dentes. Ele também atinge músculos mastigatórios, ligamentos e a própria articulação temporomandibular. Com o tempo, esse desequilíbrio pode favorecer dor, estalos, limitação de abertura da boca e desconforto ao mastigar. Ou seja, o bruxismo não precisa provocar zumbido de forma direta para participar do problema. Basta que ele contribua para um ambiente de tensão e disfunção que acabe influenciando estruturas próximas à região auditiva.

É por isso que o bruxismo costuma ser tratado como um fator de risco importante para DTM. E, se a DTM aparece com mais frequência em pacientes com zumbido, o raciocínio clínico se torna mais claro: o bruxismo pode entrar nessa cadeia como um elemento que favorece a sobrecarga funcional e aumenta a chance de sintomas associados. Não se trata de uma linha reta, mas de uma relação indireta que faz sentido dentro de um quadro mais amplo.

Esse entendimento também ajuda a evitar um erro comum. Muitas vezes, quando alguém sente zumbido e descobre que range os dentes, surge a expectativa de que controlar o bruxismo vá resolver tudo automaticamente. Nem sempre é assim. Em alguns casos, reduzir a sobrecarga muscular e articular melhora bastante os sintomas. Em outros, a melhora é parcial. E há situações em que o zumbido continua presente porque coexistem outros fatores, como alterações auditivas, estresse intenso, distúrbios do sono ou tensão cervical.

Ainda assim, o bruxismo merece atenção porque ele pode intensificar um quadro que já está sensível. Quando existe apertamento frequente, a mandíbula tende a permanecer em estado de esforço, a musculatura fica mais rígida e a percepção de desconfortos pode aumentar. Nesse cenário, sinais como zumbido, sensação de ouvido tampado, dor facial e estalos na ATM deixam de parecer eventos isolados e passam a compor um mesmo contexto funcional.

Outro ponto relevante é que o bruxismo costuma andar de mãos dadas com fatores emocionais e comportamentais, como ansiedade, tensão acumulada e sono de má qualidade. Isso amplia ainda mais a complexidade do quadro, porque tanto o bruxismo quanto o próprio zumbido podem piorar em períodos de maior estresse. Assim, o que já era uma associação mecânica passa a ser influenciado também por aspectos do cotidiano que mantêm o corpo em estado de alerta.

Por isso, sempre que zumbido, dor mandibular e desgaste dentário aparecem juntos, vale observar se o bruxismo está presente. Ele pode não ser o protagonista isolado da história, mas muitas vezes funciona como um agravante importante. E compreender esse papel é essencial para dar o próximo passo com mais precisão: identificar os sinais que indicam quando essa conexão entre mandíbula e ouvido realmente merece investigação clínica mais aprofundada.

Quando desconfiar que o zumbido tem relação com a mordida ou com a ATM?

Nem todo zumbido tem origem na mandíbula. Essa é a primeira ideia que precisa ficar clara. Ao mesmo tempo, há situações em que a relação com a ATM e com a mordida merece, sim, ser investigada com mais atenção. Isso costuma acontecer quando o zumbido aparece ao lado de outros sinais funcionais, formando um quadro que vai além da queixa auditiva isolada.

Um dos indícios mais importantes é a presença de dor na face, especialmente na região próxima à articulação temporomandibular. Desconforto ao mastigar, sensação de pressão perto do ouvido, cansaço na mandíbula ao acordar e dor de cabeça recorrente também entram nessa lista. Quando esses sintomas caminham juntos, a hipótese de DTM deixa de ser secundária e passa a merecer avaliação específica.

Outro sinal muito comum é o estalo ao abrir ou fechar a boca. Em alguns casos, além do estalo, existe sensação de travamento, desvio da mandíbula ao abrir a boca ou dificuldade para movimentos mais amplos, como bocejar e mastigar alimentos mais firmes. Esses achados não confirmam, sozinhos, a origem do zumbido, mas ajudam a mostrar que há uma sobrecarga articular ou muscular que não deve ser ignorada.

O bruxismo também chama atenção nesse contexto. Quem aperta ou range os dentes com frequência pode notar desgaste dentário, sensibilidade nos dentes, rigidez facial ao acordar e tensão constante no maxilar. Quando isso acontece junto com o zumbido, vale ampliar a investigação, porque a sobrecarga provocada pelo apertamento pode favorecer um quadro de DTM e, em alguns pacientes, modular a percepção do chiado.

Existe ainda um sinal bastante sugestivo: o zumbido mudar com movimentos da mandíbula ou do pescoço. Quando o som piora ao apertar os dentes, ao projetar a mandíbula para frente, ao abrir a boca ou ao tensionar a musculatura cervical, cresce a suspeita de um componente somatossensorial. Nesses casos, o sintoma parece responder não apenas ao sistema auditivo, mas também a estímulos mecânicos e musculares da região orofacial.

A sensação de ouvido tampado sem alteração auditiva importante também pode entrar nesse quadro. Muitas pessoas relatam incômodo auricular, pressão perto do ouvido e zumbido persistente, mas não encontram uma explicação suficiente nos exames otológicos iniciais. Quando isso acontece, investigar a ATM e a função da mordida pode ajudar a preencher uma parte da história que antes estava passando despercebida.

Alguns sinais merecem atenção especial:

  • dor na face ou na região da ATM
  • estalos ao abrir e fechar a boca
  • sensação de travamento mandibular
  • cansaço na mandíbula ao acordar
  • bruxismo ou apertamento dentário
  • zumbido que muda com movimento da boca ou do pescoço
  • tensão muscular na face, pescoço e ombros
  • sensação de ouvido tampado sem causa auditiva evidente

Esse conjunto de sinais não serve para fechar diagnóstico em casa. O papel dele é outro: mostrar quando vale a pena buscar uma avaliação mais integrada. Em muitos casos, o zumbido continua sendo multifatorial. Mas, quando ele aparece junto desses achados, investigar mordida, ATM, musculatura e bruxismo pode fazer bastante diferença para entender o quadro com mais precisão.

E é justamente a partir dessa suspeita clínica bem construída que o próximo passo ganha força: pensar em tratamento. Não como promessa de cura automática, mas como uma abordagem combinada, individualizada e baseada no que cada caso realmente precisa.

Tratamento combinado: quando o cuidado com o zumbido precisa ir além do ouvido

Quando o zumbido aparece junto de sinais como dor na mandíbula, estalos, apertamento dentário e sensação de mordida desconfortável, o tratamento não deve ficar restrito ao ouvido. Isso não significa abandonar a investigação otológica. Pelo contrário. O caminho mais seguro é ampliar a avaliação para entender se existe também um componente funcional envolvendo ATM, musculatura da face, pescoço e bruxismo.

Na prática, esse tipo de quadro costuma pedir uma abordagem combinada. O otorrinolaringologista ajuda a investigar causas auditivas e a descartar alterações que exigem atenção específica. Ao mesmo tempo, o cirurgião-dentista com experiência em DTM e o ortodontista entram para avaliar a mordida, a função mandibular, a presença de sobrecarga muscular e os sinais de apertamento ou ranger dos dentes. Em muitos casos, é essa leitura mais completa que muda o rumo da condução.

Quando há DTM associada, alguns recursos costumam ser considerados de acordo com a necessidade de cada paciente. As placas oclusais, por exemplo, podem ajudar no controle da sobrecarga e na proteção dos dentes em quadros de bruxismo. Exercícios específicos, fisioterapia e orientações para reduzir tensão muscular também podem ser úteis, especialmente quando existe dor na face, rigidez mandibular e desconforto cervical. O objetivo aqui não é “forçar” uma solução única, mas aliviar os fatores que estão alimentando o quadro.

A ortodontia pode entrar nessa estratégia em casos selecionados. Quando a mordida desalinhada contribui para desequilíbrios funcionais importantes, corrigir a oclusão pode ajudar a redistribuir melhor as forças mastigatórias e reduzir a sobrecarga sobre a articulação temporomandibular. Esse tipo de conduta, porém, precisa ser bem indicada. Nem toda mordida torta exige aparelho por causa do zumbido, e nem toda correção ortodôntica terá impacto direto no sintoma auditivo.

Outro ponto que pode funcionar como apoio é a acupuntura. Em pacientes com dor, tensão muscular e componentes emocionais relevantes, ela pode contribuir para relaxamento, modulação da dor e melhora do bem-estar geral. Em alguns casos, isso também repercute na forma como o zumbido é percebido. Ainda assim, é importante manter os pés no chão: a acupuntura atua como coadjuvante, não como resposta universal para todos os quadros.

O manejo do bruxismo também faz diferença nesse cenário. Como o apertamento pode sustentar a sobrecarga da ATM e da musculatura, controlar esse hábito tende a fazer parte da estratégia terapêutica. Isso pode envolver placa, ajustes de rotina, atenção ao sono, redução de tensão ao longo do dia e orientação individualizada para diminuir hábitos parafuncionais que mantêm a mandíbula em esforço constante.

É justamente por isso que promessas rápidas não combinam com esse tema. Alinhar a mordida, tratar a DTM ou controlar o bruxismo pode ajudar bastante alguns pacientes, mas a resposta não é igual para todos. Em parte dos casos, o zumbido diminui. Em outros, melhora apenas parcialmente. E também há situações em que ele persiste porque a origem é multifatorial e inclui fatores auditivos, emocionais, neurológicos ou metabólicos.

O que faz diferença, de verdade, é sair da lógica genérica e construir um plano individualizado. Quando o caso é avaliado de forma integrada, fica mais fácil entender se o zumbido está sendo influenciado pela ATM, pela mordida, pelo bruxismo ou por uma combinação desses elementos. E essa clareza evita tanto tratamentos desnecessários quanto expectativas irreais.

No fim das contas, o melhor tratamento é aquele que respeita a causa predominante de cada quadro. Em vez de buscar uma solução milagrosa, o mais sensato é trabalhar com diagnóstico preciso, abordagem multiprofissional e metas realistas de controle e melhora. Esse raciocínio abre espaço para a etapa final do artigo, que costuma responder as dúvidas mais comuns de quem convive com zumbido e se pergunta se a mordida pode estar envolvida.

Zumbido no ouvido e mordida desalinhada: a conexão existe, mas precisa ser bem interpretada

A relação entre zumbido no ouvido e mordida desalinhada existe, mas ela não deve ser entendida de forma simplista. O ponto central não está em afirmar que uma mordida incorreta, sozinha, causa o sintoma auditivo. O que realmente faz sentido é observar se essa mordida faz parte de um quadro mais amplo, com bruxismo, sobrecarga muscular e disfunção temporomandibular.

Essa diferença de interpretação é importante porque muda completamente a forma de olhar para o problema. Em vez de buscar uma resposta automática, o mais adequado é investigar o contexto em que o zumbido aparece. Quando ele vem acompanhado de dor na mandíbula, estalos, tensão facial, apertamento dentário e sensação de desconforto ao mastigar, a hipótese de participação da ATM ganha mais relevância e merece atenção clínica.

Ao longo do artigo, ficou claro que o zumbido é multifatorial. Ele pode ter relação com alterações auditivas, fatores emocionais, distúrbios do sono, tensão cervical, questões metabólicas e também com componentes somatossensoriais ligados à mandíbula e à musculatura da face. Justamente por isso, não existe espaço para conclusões apressadas nem para promessas de solução única.

Também ficou evidente que a DTM aparece com maior frequência em pacientes com zumbido e que o bruxismo pode funcionar como um fator importante nessa cadeia, ao aumentar a sobrecarga sobre a articulação temporomandibular. Esse entendimento ajuda a construir uma visão mais realista: a mordida desalinhada pode participar do problema, mas geralmente de forma indireta, dentro de um cenário funcional mais complexo.

Na prática, isso significa que cada caso precisa ser avaliado com individualidade. Em algumas pessoas, tratar a DTM, controlar o bruxismo e melhorar o equilíbrio da mordida pode reduzir a intensidade do zumbido. Em outras, a melhora será apenas parcial. E também há pacientes em que a principal origem do sintoma está em outro sistema, sem relação relevante com a ATM.

O mais importante é não ignorar sinais que o corpo já está mostrando. Quando o zumbido aparece ao lado de dor facial, estalos mandibulares, tensão muscular ou desgaste dentário, vale ampliar a investigação. Esse cuidado evita tanto o erro de atribuir tudo ao ouvido quanto o erro oposto de culpar apenas a mordida.

Em resumo, a conexão existe, mas precisa ser interpretada com critério. Não se trata de uma relação direta e universal, e sim de uma associação que pode fazer sentido em casos específicos, especialmente quando há DTM e bruxismo envolvidos. Quanto mais precisa for a avaliação, maiores são as chances de encontrar uma abordagem realmente útil para o controle dos sintomas.

Se você convive com zumbido no ouvido, dor na mandíbula, estalos ao abrir a boca ou percebe sinais de bruxismo, vale investigar essa relação com atenção. Uma avaliação criteriosa pode ajudar a identificar a origem do desconforto e definir o tratamento mais adequado para o seu caso. Entre em contato e agende sua consulta.

Referencial

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Ralli M, et al. Somatosensory tinnitus: Current evidence and future perspectives. Journal of International Medical Research. 2017. Referência clássica para embasar a explicação sobre zumbido somatossensorial, ligado a estímulos da ATM, pescoço e musculatura da face.

Revisão recente sobre zumbido somatossensorial Ênfase em diagnóstico e tratamento da região cervical/ATM.
Indicada nas instruções como suporte adicional para a parte de diagnóstico e abordagem clínica do zumbido com componente somatossensorial.

Revisão sistemática/meta-análise sobre bruxismo e DTM Indicada para sustentar a associação entre bruxismo e maior chance de DTM, com razão de chances em torno de 2,17 a 2,25.

Estudo populacional brasileiro sobre DTM e fatores associados Base para o dado de que o bruxismo do sono aumentou a prevalência de DTM em cerca de 2,16 vezes.

Estudo sobre bruxismo e tinnitus em pacientes odontológicos Indicado nas instruções como apoio para a informação de que 54% dos pacientes com bruxismo do sono relataram zumbido.

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