Sentir um zumbido constante no ouvido pode ser extremamente incômodo, e o mais curioso é que, em muitos casos, a causa não está no ouvido em si. O zumbido, ou tinnitus, é um sintoma comum que afeta milhões de pessoas e pode surgir por diferentes motivos: alterações auditivas, problemas circulatórios, fatores emocionais e até distúrbios musculoesqueléticos.
Entre essas causas, uma das menos conhecidas, mas bastante relevantes, é a disfunção da articulação temporomandibular (ATM), frequentemente associada à má oclusão dentária. Ou seja, quando os dentes não se encaixam corretamente, isso pode gerar uma série de tensões e sobrecargas que reverberam até o ouvido.
Neste artigo, quero te mostrar como a ortodontia pode ser uma aliada importante no tratamento complementar do zumbido. Vamos entender como os desalinhamentos dentários influenciam a saúde da ATM e, consequentemente, o aparecimento desse ruído incômodo.
O que é zumbido no ouvido e como ele pode estar ligado à má oclusão?
O zumbido no ouvido, também conhecido como tinnitus, é a percepção de um som que não tem origem externa. Ele pode se manifestar como chiado, apito, assobio ou sensação de pressão sonora, afetando diretamente a qualidade de vida do paciente. Embora seja mais frequentemente associado a alterações auditivas, o zumbido tem uma origem multifatorial, o que inclui causas circulatórias, neurológicas, emocionais e musculoesqueléticas.
Um desses fatores pouco explorados, mas cada vez mais reconhecido, é o envolvimento da articulação temporomandibular (ATM). Essa articulação, responsável pelos movimentos da mandíbula, está localizada muito próxima ao ouvido interno. Por isso, qualquer disfunção em sua estrutura ou funcionamento pode influenciar as estruturas auditivas.
A má oclusão dentária, quando os dentes não se encaixam adequadamente, é uma das principais causas da disfunção temporomandibular (DTM). Quando os dentes estão desalinhados, os músculos da mastigação trabalham de forma desequilibrada, gerando sobrecarga na ATM. Essa tensão pode irradiar para a região do ouvido e provocar sintomas como dor, estalos e zumbido.
Estudos como o de Venancio et al. (2008) e Lopes et al. (2015) indicam que há correlação significativa entre pacientes com DTM e a presença de zumbido, especialmente quando há má oclusão dentária associada. Em minha prática clínica, também observo que, em muitos casos, o tratamento ortodôntico aliado ao controle das tensões musculares da mandíbula contribui para a melhora ou até eliminação do sintoma.
Má oclusão e DTM: entenda como a posição dos dentes pode causar zumbido
A articulação temporomandibular (ATM) é uma das mais complexas do corpo humano. Ela conecta a mandíbula ao crânio e participa de funções vitais como mastigação, fala e deglutição. Qualquer alteração no equilíbrio dessa estrutura pode desencadear um quadro conhecido como disfunção temporomandibular (DTM), cujos sintomas incluem dores faciais, estalos, limitação de movimentos e, em muitos casos, o zumbido no ouvido.
A má oclusão dentária está entre os principais fatores que contribuem para a DTM. Quando os dentes superiores e inferiores não se encaixam corretamente, o sistema mastigatório entra em desequilíbrio. Os músculos da face passam a funcionar de forma compensatória, gerando sobrecarga na ATM. Essa sobrecarga pode provocar inflamação, compressão de nervos e alterações na vascularização da região, todos esses elementos podem estar diretamente envolvidos no aparecimento do zumbido.
A relação entre má oclusão, DTM e zumbido tem sido cada vez mais estudada. Segundo pesquisa publicada na Revista Odontológica da UNESP (2008), alterações oclusais foram observadas em cerca de 76% dos pacientes com queixa de zumbido. Outra revisão da Revista CEFAC (2014) reforça que há evidências clínicas de que o tratamento da DTM pode reduzir ou eliminar o tinnitus em determinados casos.
Além disso, a proximidade anatômica entre a ATM e o ouvido interno favorece a transmissão de estímulos mecânicos e musculares entre essas estruturas. É como se houvesse uma “conversa silenciosa” entre a mandíbula e o ouvido, que, quando desequilibrada, pode se manifestar como um zumbido persistente.
Quais tipos de mordida desalinhada mais contribuem para o zumbido?
Nem toda má oclusão gera sintomas evidentes, mas alguns padrões de mordida desalinhada são mais frequentemente associados à sobrecarga na ATM e, por consequência, ao zumbido no ouvido. Identificar essas alterações é essencial para um diagnóstico eficaz e um plano de tratamento adequado.
Sobremordida profunda
Quando os dentes superiores cobrem excessivamente os inferiores, pode haver compressão da mandíbula e limitação de seus movimentos. Esse tipo de oclusão gera tensão constante na musculatura mastigatória e favorece o deslocamento do disco articular da ATM, o que pode desencadear o zumbido.
Mordida cruzada
Neste caso, os dentes inferiores ficam mais para fora que os superiores em algumas regiões da boca. Essa assimetria altera a trajetória natural da mandíbula durante a mastigação, promovendo desequilíbrios musculares e pressões desiguais nas articulações temporomandibulares.
Mordida aberta
Muito comum em pessoas que tiveram hábitos como uso prolongado de chupeta ou respiração bucal, a mordida aberta impede o fechamento completo dos dentes anteriores. Isso gera compensações nos músculos da mastigação e sobrecarga nas ATMs.
Desvios mandibulares
Quando a mandíbula se desloca lateralmente para alcançar uma posição mais “confortável” durante a mordida, esse movimento altera o padrão normal das articulações, podendo levar à DTM e ao zumbido, especialmente quando há um desalinhamento funcional do lado oposto.
Essas alterações, se não tratadas, podem evoluir com o tempo e intensificar os sintomas. Por isso, a avaliação com um ortodontista é fundamental. Em muitos casos, o zumbido é apenas o “alerta sonoro” de que algo não está funcionando bem na sua mordida.
Como a ortodontia pode ajudar a tratar o zumbido relacionado à má oclusão
Quando falamos em zumbido provocado por disfunção da ATM, tratar a causa raiz do problema, muitas vezes, a má oclusão dentária, é essencial para o alívio dos sintomas. E é justamente aí que a ortodontia se torna uma importante aliada.
O objetivo do tratamento ortodôntico é promover o correto alinhamento dos dentes e a harmonia das arcadas dentárias. Ao corrigir os desalinhamentos, conseguimos redistribuir as forças mastigatórias de maneira equilibrada, reduzindo a sobrecarga nos músculos da face e nas articulações temporomandibulares. Com isso, diminuem-se também as tensões que podem estar irradiando para o ouvido.
Alinhadores Invisalign® como alternativa moderna
Uma das soluções mais modernas que utilizamos no consultório é o Invisalign®, um sistema de alinhadores transparentes que permite movimentações precisas dos dentes, com muito mais conforto e discrição. Além do benefício estético, o Invisalign® oferece a vantagem de melhorar a oclusão sem agredir tecidos sensíveis, sendo uma ótima opção para pacientes com DTM.
Evidências clínicas de sucesso
Estudos clínicos e revisões, como o da Revista Odontológica da UNESP e da Revista CEFAC, demonstram que a correção ortodôntica pode levar à redução ou eliminação do zumbido em pacientes com disfunção temporomandibular. Além disso, em minha experiência clínica, já acompanhei diversos casos em que o alívio do zumbido foi perceptível logo nas primeiras fases do tratamento ortodôntico, especialmente quando associado a um plano multidisciplinar.
Terapias complementares
Vale destacar que, em muitos casos, o tratamento ortodôntico deve ser integrado a outras abordagens, como:
- Uso de placas miorrelaxantes para alívio muscular
- Fisioterapia orofacial para reeducação funcional
- Acupuntura ou laserterapia para controle da dor
- Acompanhamento psicológico, quando o estresse é fator agravante
Essa combinação potencializa os resultados e proporciona mais conforto e qualidade de vida ao paciente.
Zumbido, ortodontia e outras terapias: quando procurar ajuda profissional
Nem sempre é fácil associar o zumbido no ouvido a um problema na mordida ou na articulação da mandíbula. Muitas vezes, o paciente procura inicialmente um otorrinolaringologista, realiza exames auditivos, que vêm normais, e continua convivendo com o ruído sem respostas claras. É justamente nesses casos que o olhar multidisciplinar faz toda a diferença.
Quando considerar uma avaliação ortodôntica?
Você deve buscar uma avaliação com um ortodontista quando o zumbido vier acompanhado de outros sinais, como:
- Estalos ao abrir ou fechar a boca
- Dores na região da mandíbula, têmporas ou nuca
- Dificuldade de mastigar ou travamento da mandíbula
- Sensação de pressão ou cansaço muscular na face
- Histórico de bruxismo ou apertamento dos dentes
Esses sintomas podem indicar uma disfunção na ATM causada por má oclusão dentária, e um tratamento ortodôntico pode ajudar significativamente no controle do quadro.
A importância da abordagem em equipe
Nenhum tratamento deve ser isolado. O ideal é contar com uma equipe formada por dentista, otorrino, fisioterapeuta orofacial e, quando necessário, psicólogo. Cada profissional atua em um ponto específico do problema, ajudando a identificar as causas reais do zumbido e propondo um plano terapêutico completo.
No meu consultório, aqui em São Paulo, recebo muitos pacientes encaminhados por otorrinolaringologistas justamente por essa integração de especialidades, o que nos permite atuar de forma precisa, segura e personalizada.
Evite o auto diagnóstico
É comum que o paciente busque informações na internet ou tente resolver o problema com soluções caseiras. No entanto, o zumbido é um sintoma complexo, e tentar se automedicar ou ignorar o problema pode atrasar um diagnóstico que, se feito cedo, traria resultados muito mais eficazes.
Avaliação ortodôntica em São Paulo: sua aliada no controle do zumbido
O zumbido no ouvido é um sintoma que merece atenção, e muitas vezes, o alívio pode estar onde você menos espera: no alinhamento dos seus dentes. A má oclusão, quando interfere no funcionamento da ATM, pode ser um dos gatilhos silenciosos desse ruído persistente. E é justamente por isso que a ortodontia pode ser uma aliada essencial no seu tratamento.
Corrigir a mordida, redistribuir as forças mastigatórias e aliviar as tensões na mandíbula pode trazer benefícios não apenas estéticos, mas funcionais e auditivos. E quando esse cuidado é feito de forma integrada com outras abordagens, os resultados tendem a ser ainda mais positivos.
Se você sente zumbido no ouvido, especialmente se ele vier acompanhado de dores na mandíbula, estalos ou desconforto ao mastigar, agende uma avaliação. Aqui no consultório, em Pinheiros e Vila Madalena, eu faço uma análise completa da sua oclusão e da sua ATM. Com base nisso, elaboro um plano personalizado para o seu caso.
Não deixe esse incômodo se tornar parte da sua rotina. Me chame no WhatsApp e marque sua consulta. Vai ser um prazer te ajudar!
Referencial:
Venancio, R. A., Camparis, C. M., & Bittencourt, R. F. (2008). Zumbido e sua relação com disfunção temporomandibular: uma abordagem clínica e terapêutica. Revista Odontológica da UNESP, 37(3), 297-302. Disponível em: https://revodontolunesp.com.br/article/588018497f8c9d0a098b4b5e/pdf/rou-37-3-297.pdf
Lopes, F. F., Velasques, I. A., & Furquim, B. D. A. (2015). Disfunção temporomandibular e zumbido: revisão de literatura. Revista CEFAC, 17(4), 1354-1363. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rcefac/a/gtdM57RGbSzn6VQCc7JjNDd/?format=html&lang=pt
Oliveira, A. G. M. (2018). Correlação entre zumbido e disfunção temporomandibular: revisão de literatura. Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Disponível em: https://www.repositorio.ufal.br/bitstream/123456789/10518/1/Correla%C3%A7%C3%A3o%20entre%20zumbido%20e%20disfun%C3%A7%C3%A3o%20tempromandibular%20%20-%20revis%C3%A3o.pdf
Queiroz, R. (s.d.). Zumbido, DTM e o tratamento ortodôntico. Blog RQ Ortodontia. Disponível em: https://rqortodontia.com.br/zumbido-dtm-tratamento-tensao-mandibula/
Queiroz, R. (s.d.). Mordida desalinhada pode causar zumbido no ouvido? Blog RQ Ortodontia. Disponível em: https://rqortodontia.com.br/mordida-desalinhada-zumbido-ouvido/